Copa do Mundo 1930

“Um sonho que se tornou realidade”
A idéia de organizar uma Copa do Mundo nasceu no mesmo dia em que foi fundada a FIFA, no dia 21 de maio de 1904, em Paris. Mas a idéia só começou a tornar-se realidade a partir de 1921, quando Jules Rimet, presidente da FIFA, se empenhou na realização de um campeonato de futebol que fortalecesse os ideais de paz permanente e verdadeira.
Com o Estádio Centenário construído em tempo recorde e ainda com o cimento úmido, entre os dias 13 e 30 de Julho foi realizado o primeiro Campeonato Mundial de Futebol, com apenas 13 participantes. A primeira final da história do mundial foi sul-americana. O Uruguai e a Argentina ratificaram suas brilhantes atuações nos Jogos Olímpicos precedentes e reeditaram a disputada final Olímpica de 1928. O cenário não podia ser melhor: a vizinhança entre ambos os países permitiu que milhares de argentinos viajassem para o Uruguai, para serem testemunhas de como se dá a tradicional rivalidade rio-platense, no Estádio Centenário lotado por 80 mil ansiosos torcedores.
No dia 30 de Julho de 1930, com a arbitragem do belga John Langenus, os uruguaios começaram a escrever a lenda da “garra charrua”. Terminando o primeiro tempo, a Argentina vencia por 2 a 1. No entanto, no segundo tempo, os uruguaios viraram o jogo e ganharam por 4 a 2 contra seu rival mais tradicional. “Colocamos mais garra”, comentou o capitão uruguaio, enquanto a equipe argentina abandonava o campo do jogo com a cabeça baixa e remoendo a armagura.

A primeira Copa do Mundo realizada foi a Copa do Mundo de 1930. Sediada no Uruguai de 13 de Julho à 30 de Julho, pois a FIFA o escolheu como forma de celebrar o centenário de sua independência, e também por a Seleção Uruguaia vir de dois títulos olímpicos na época.
Apenas treze equipes participaram, sendo nove das Américas e quatro da Europa. O baixo número dos europeus na Copa foi devido ao fato dos custos e duração da viagem. As duas primeiras partidas da história da Copa do Mundo ocorreram simultaneamente e foram vencidas pela França e pelos Estados Unidos, que bateram respectivamente o México por 4 a 1 e a Bélgica por 3 a 0. O primeiro gol das Copas foi marcado por Lucien Laurent da França. Na final, o país-sede e favorito Uruguai bateu a Argentina por 4 a 2 em frente a uma torcida de 93.000 pessoas e se tornou a primeira nação a vencer uma Copa do Mundo.
Uma briga entre os paulistas e cariocas impediu que o Brasil levasse os melhores do país para a Copa. O único paulista que integrou a seleção foi Araken.
Em 1914 a FIFA concordou em reconhecer o torneio olímpico de futebol como um “campeonato mundial de futebol para amadores”,[1] e tomou a responsabilidade por comandar o evento nas próximas três Olimpíadas: de 1920 a 1928 (Nos Jogos Olímpicos de 1908 e nos de 1912 as competições futebolísticas foram organizadas pela Football Association e pela Svenska Fotbollförbundet respectivamente).
Nos Jogos Olímpicos de 1932, realizados em Los Angeles, não havia o futebol no programa de competições por causa da baixa popularidade do esporte nos Estados Unidos, uma vez que era o futebol americano que crescia em popularidade. A FIFA e o Comitê Olímpico Internacional também divergiram na questão dos jogadores amadores e assim o futebol foi excluído dos jogos. Em 26 de maio de 1928, na conferência de Amsterdã e dia de abertura do torneio olímpico de futebol, o presidente da FIFA Jules Rimet anunciou planos de montar um torneio distinto às Olimpíadas, aberto a todos os membros da FIFA. Itália, Suécia, Países Baixos, Espanha e Uruguai se inscreveriam para sede do evento.
A primeira Copa do Mundo foi a única sem Eliminatórias. Todos os países afiliados à FIFA foram convidados a competir. 28 de fevereiro de 1930 foi a data estabelecida para que os times se registrassem para o torneio no Uruguai. Brasil, Argentina, Peru, Paraguai, Chile, Bolívia, Estados Unidos e México se inscreveram a tempo, mas a data se passou sem que uma nação do outro lado do Oceano Atlântico se inscrevesse. Uma vez que viagens trans-atlânticas eram longas e caras, poucas equipes européias se interessaram o bastante para competir. A Asociación Uruguaya de Fútbol chegou a mandar uma carta à Football Association (à época ainda não filiada à FIFA). O convite foi declinado pelo comitê da FA em 18 de novembro de 1929; até dois meses antes do início do torneio, nenhuma seleção européia tinha oficialmente se inscrito. O presidente da FIFA Jules Rimet interveio, junto com o governo uruguaio, prometendo custear as despesas de viagem de qualquer equipe européia. Quatro times europeus acabaram viajando: Bélgica, França, Romênia e Iugoslávia. Os romenos (que pederam para a Iugoslávia um mês antes da competição mas venceriam a Copa dos Balcãs em 1931), dirigidos por Constantin”Costel” Radulescu e treinados pelo capitão Rudolf Wetzer e Octav Luchide, embarcaram o SS Conte Verde em Gênova. Os franceses embarcaram em Villefrance-sur-Mer em 21 de junho de 1930, e os belgas embarcaram em Barcelona.
O Conte Verde seria o mesmo barco pelo qual viria Jules Rimet, a taça e três árbitros europeus: os belgas Jean Langenus e Henri Cristophe além de Thomas Balway, um parisiense de possível origem inglesa. O Brasil pegou o mesmo barco quando este atracou no Rio de Janeiro em 29 de junho de 1930 antes que ele chegasse ao Uruguai em 4 de julho de 1930. Foi no Rio que Balway soube que esposa havia morrido na França. Os iugoslavos viajaram no navio correio “Florida” partindo de Marselha.
Todas as partidas foram disputadas na capital, Montevidéu. Três estádios foram utilizados: o Estádio Centenário, o Estádio Pocitos e o Estádio Parque Central.
O Centenário, com capacidade para 100 000 pessoas, foi construído especialmente para a Copa do Mundo. Seu nome vem da celebração do centenário da independência uruguaia. Foi o principal estádio da Copa, sendo apelidado por Jules Rimet de “O Templo do Futebol”. O estádio abrigou dez das dezoito partidas do Mundial, incluindo as semifinais e a final.
O restante das partidas foi disputado em pequenos estádios freqüentemente utilizados pelos clubes de futebol de Montevidéu: o Estádio Parque Central e o Estádio Pocitos, com capacidade máxima de 20.000 pessoas cada um.
Os treze times foram divididos em quatro grupos, como todos os jogos se realizando na capital uruguaia, Montevidéu. Uruguai, Argentina, Brasil e EUA foram designados cabeças-de-chave. Uma vez que não houve Eliminatórias para esta Copa, as duaas partidas de abertura do torneio foram as primeiras partidas da história das Copas, sendo realizados simultaneamente em 13 de julho; a França bateu o México por 4 a 1 no Estádio Pocitos, enquanto os Estados Unidos derrotaram a Bélgica por 3 a 0 ao mesmo tempo no Estádio Gran Parque Central.

Grupo 1
Este grupo foi o único a conter quatro times: Argentina, Chile, França e México. Dois dias após a vitória da França sobre o México, os franceses encarariam os argentinos. O único tento da partida foi marcado pelo argentino Luis Monti, de falta. O jogo apresentou uma controversa arbitragem do brasileiro Gilberto de Almeida Rego que erroneamente apitou o final do jogo seis minutos antes do final do tempo regulamentar, com o jogo devidamente encerrado apenas após protestos dos jogadores franceses. O segundo jogo dos argentinos, contra o México, apresentou o primeiro pênalti da história das Copas. Um total de cinco pênaltis, três de maneira controversa, foram marcados durante a partida que foi apitada pelo técnico da Bolívia, Ulises Saucedo. Guillermo Stábile marcou um hat-trick na sua estréia internacional na vitória argentina sobre os mexicanos por 6 a 3. A classificação foi decidida na última rodada do grupo, quando Argentina e Chile se enfrentaram e o placar marcou 3 a 1 para os argentinos, classificando estes para a fase final.

Grupo 2
O segundo grupo continha Brasil, Bolívia e Iugoslávia. Brasil, o cabeça de chave, mandou um time composto quase que totalmente de cariocas (sendo o paulista Araken a única exceção) por causa de uma briga entre cartolas paulistas e cariocas, mas mesmo assim o time brasileiro poderia progredir. Porém, na partida de abertura do grupo a Iugoslávia conseguiu uma vitória de 2 a 1 sobre a seleção verde-amarela. Ambos os times bateram a Bolívia por 4 a 0. No jogo entre Brasil e Bolívia ambas as equipes jogaram com o mesmo uniforme por 45 minutos, até que os bolivianos decidiram trocar o uniforme. Com os resultados a Iugoslávia estava na fase seguinte.

Grupo 3
Os anfitriões uruguaios se emparelharam numa chave com Peru e Romênia. Na partida de abertura do grupo ocorreu a primeira expulsão da história das Copas, quando Plácido Galindo do Peru foi dispensado de campo contra a Romênia. A vantagem em campo ajudou os romenos a construirem a vitória de 3 a 1, uma vez que dois gols foram marcados após a expulsão. Devido a atrasos na construção do Estádio Centenário, a primeira partida da seleção uruguaia se deu apenas cinco dias depois do início do torneio. A primeira partida a ser jogada no Centenário foi precedida por uma cerimônia em honra ao centenário de independência do Uruguai. Os donos da casa venceram uma partida dura contra os peruanos por 1 a 0. Depois a celeste sacramentaria sua classificação com relativa facilidade ao golear a Romênia por 4 gols a 0.

Grupo 4
Os Estados Unidos dominaram o quatro grupo. A equipe dos EUA, que continha um ex-profissional de origem britânica e migrantes de várias origens. Os belgas, primeiros oponentes dos EUA foram batidos por 3 a 0. A facilidade da vitória foi inesperada; o jornal uruguaio Imparcial escreveu que “o grande placar da vitória americana realmente surpreendeu os especialistas”. Repórteres belgas criticaram o estado do gramado e as decisões da arbitragem, dizendo que o segundo gol estava impedido. A segunda partida do grupo foi entre Paraguai e Estados Unidos. Neste jogo ocorreu o primeiro hat-trick da história das Copas, marcado por Bert Patenaude dos Estados Unidos. Porém, até 10 de novembro de 2006 o primeiro hat-trick era atribuído pela FIFA a Guillermo Stábile da Argentina, dois dias após Patenaude. Em 2006 a FIFA anunciou que a solicitação de Patenaude para ser o primeiro marcador de hat-trick da história das Copas era válida, pois o gol de Tom Florie tinha sido erroneamente marcado, na verdade pertencia a Patenaude. Os quatro vencedores dos grupos: Argentina, Iugoslávia, Uruguai e Estados Unidos foram às semi-finais.

Semifinais
As duas semi-finais tiveram placares idênticos. Na primeira semi, um gol de Monti do meio de campo no primeiro tempo deu a Argentina uma liderança de 1 a 0 contra os Estados Unidos no intervalo. No segundo tempo a força do time dos Estados Unidos foi batida pelo ritmo dos ataques argentinos, com a partida terminando 6 a 1 para a Argentina. Os jogadores dos Estados Unidos ainda reclamaram à Jean Langenus mas sem efeito.
Na segunda semi-final; novo encontro entre iugoslavos e uruguaios depois da partida nos Jogos Olímpicos de 1924. Agora a Iugoslávia sairia na frente com Sekulić marcando. O Uruguai conseguiu a virada em 2 a 1, mas pouco antes do intervalo a Iugoslávia teve um gol anulado de maneira controversa por impedimento. Os anfitriões marcaram mais quatro gols no segundo tempo, com um hat-trick de Pedro Cea, assegurando a vitória por 6 a 1.

Final
A final marcou o reencontro entre os finalistas dos Jogos Olímpicos de 1928, Uruguai e Argentina. Uma vez que a disputa do terceiro lugar não se estabeleceu até a Copa seguinte, a Copa de 1930 é única no fato em que não ocorreram partidas entre as semi-finais e a final. Porém, algumas fontes, notadamente um Boletim da FIFA de 1984, afirmam que houve sim uma partida do terceiro lugar e que foi vencida por 3 a 1 pela Iugoslávia. Essa informação nunca foi oficialmente confirmada.
A final foi disputada no Estádio Centenário em 30 de julho. Os portões do estádio foram abertos às oito da manhã, seis horas antes do pontapé inicial, e ao meio-dia os lugares estavam tomados, oficialmente comportando 93.000 pessoas.
Antes do início da partida ocorreu uma discordância em relação a bola que seria usada na partida, forçando a FIFA a interferir decretando que a bola argentina seria usada no primeiro tempo e uma uruguaia no segundo. O jogo acabou 4 a 2 para os uruguaios (que perdiam de 2 a 1 no intervalo) que adicionaram ao seu palmarés o título de campeões do mundo, assim que Jules Rimet os presenteou com a Copa do Mundo, que seria depois nomeada em sua homenagem. O dia seguinte à partida foi declarado feriado nacional no Uruguai, já em Buenos Aires arruaceiros jogaram pedras no consluado uruguaio.
Somente um jogador que esteve em campo naquela final, o argentino Francisco Varallo que era atacante, ainda está vivo.

Os jogadores brasileiros na Copa de 1930

*Essa camisa branca na foto acima por incrível que pareça foi usada pelo Brasil de 1930 à 1934, mostrando que a primeira camisa brasileira era branca.

Osvaldo Velloso de Barros – Goleiro
Joel – Goleiro
Zé Luíz – Defensor
Brilhante – Defensor
Itália – Defensor
Hermógenes – Meio Campo
Ivan – Meio Campo
Manuelzinho – Meio Campo
Oscarino – Meio Campo
Pamplona – Meio Campo
Fausto – Meio Campo
Fortes – Meio Campo
Araken Patusca – Atacante
Benedito – Atacante
Carvalho Leite – Atacante
Doca – Atacante
Moderato – Atacante
Nilo – Atacante
Poly – Atacante
Prego – Atacante
Russinho – Atacante
Teóphilo – Atacante

Técnico: Carvalho


**Já esta camisa branca foi o primeiro uniforme usado pela Seleção Brasileira, em sua primeira partida oficial, contra a equipe inglesa do Exeter City, no dia 21 de Julho de 1914.
Foto retirada do site http://www.mantossagrados.blogspot.com

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